Era uma vez no Douro…

O Douro é uma região vinícola portuguesa de beleza indescritível.

A região do Douro recebeu a sua primeira demarcação em 1756, pelas mãos do Marquês de Pombal, adquirindo ao longo dos anos um lugar de destaque entre as regiões. 

Considerada como uma das mais grandiosas e belas paisagens vinhateiras do mundo, o Douro apresenta-se como um anfiteatro gigante de xistos e videiras, uma das mais prolíficas regiões produtoras de vinhos em Portugal. 

Num tal cenário moldado à força do trabalho humano, só poderia nascer um dos melhores e mais fascinantes vinhos de toda a terra. A mais antiga região demarcada de vinho do mundo, como tal, foi considerada pela Unesco como Património da Humanidade em 2001.

Desta área classificada fazem parte 13 municípios, que, para além dos vinhedos, fornecem o contexto cultural e histórico em que se desenrola a vida desta região. É uma área rica em termos de património arquitectónico, o qual terá a oportunidade de admirar ao visitar a região. 

No meio de montes, quintas e vinhas destacam-se grandes casas senhoriais do século XVIII, com as suas fachadas imponentes que demonstravam a importância das famílias que nelas habitavam. No entanto, falar do Douro, não é apenas falar de uma região. É muito mais do que isso… é falar toda a sua história e das suas gentes, que o tornam tão especial. Conhecer o Douro não é apenas visitar a região, é partir numa viagem à descoberta de um lugar único, com uma história, cultura e pessoas únicas.

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Photo by Eduardo Lages on Unsplash

O rio Douro nasce na Serra de Urbión, no norte de Espanha, a cerca de 2000 metros de altitude. É o segundo maior rio de Portugal com um comprimento total de 927 km; em território português, este rio tem apenas 207 km de comprimento e é navegável ao longo de todo esse percurso, graças às cinco barragens que são, hoje em dia, também uma atracção devido ao seu desnível: as barragens do Pocinho, da Valeira, de Bagaúste, do Carrapatelo e a de Crestuma. A Barragem do Carrapatelo tem um desnível no nível da água de 35 metros, um dos maiores desníveis da Europa.

Foi este rio, que em tempos era muito estreito e perigoso, que trouxe prosperidade à região, visto que através dele que se fazia o transporte do precioso néctar, o Vinho do Porto. 

Em séculos passados o rio representava um desafio e um perigo para os que nele navegavam. Estava repleto de fortíssimas correntes e pedras meias submersas. Nessa altura apenas um pequeno barco de madeira – o Rabelo – conseguia navegar nestas águas e fazer o transporte do vinho desde o Vale do Douro até à foz, em cujas margens se situam as cidades do Porto e Vila Nova de Gaia.

O barco rabelo era uma embarcação típica do Rio Douro usada para transportar as pipas de vinho, sendo um barco de rio de montanha com comprimento entre 19 e 23 metros. Os rabelos não tinham quilha e eram de fundo chato construídos com tábuas sobrepostas.

De vela quadrada era manejado normalmente por seis ou sete homens. Quanto aos mastros, os primeiros só usavam um, surgindo mais tarde alguns com mastro à proa e um remo longo à popa – a espadela. Quando necessário, estes barcos, eram puxados a partir de caminhos de sirga por homens ou por juntas de bois.

Photo by Hugo Teles on Unsplash

Capazes de transportar até 100 barris de vinho, os rabelos eram instantaneamente reconhecidos pelo seu longo e elegante remo de direcção. Homens incrivelmente corajosos e fortes compunham a tripulação de cada rabelo, todos eles sabendo que a próxima jornada poderia ser a sua última.

Por forma a navegar uma vez só os rabelos precisavam de ser posicionados com grande precisão no rio, já que uma vez apanhados na corrente, nada mais restava à tripulação do que ter esperar e rezar que estes emergissem incólumes nas águas calmas que se seguiam, aí, o mestre no quadrante libertava a direcção do remo, tirava o seu boné e, em seguida, cruzava os braços exclamando: “Agora vai com Deus”.

Após o empenho e interesse de D.ª Antónia Ferreira, ou Ferreirinha, a primeira via ferroviária do Douro terminou em 1887. Deixando o rabelo de ser a única opção para o transporte de vinho e de mercadorias volumosas para a costa. Ainda assim, essas corajosas embarcações mantiveram-se em actividade durante muitas mais décadas. 

Foi a vinda das estradas que mudou para sempre esta realidade. A última viagem comercial de um rabelo crê-se ter ocorrido em 1964.

No entanto, todos sabemos que sem os rabelos e as suas corajosas tripulações, o comércio de vinho nunca teria prosperado, daí que todos os durienses se tenham unido no sentido de salvar os rabelos da extinção.

Muitos foram os que construíram rabelos para lembrar de seus dias de glória, espalhando-os pelo caudal do rio Douro. Actualmente, são ainda utilizados pelos turistas para passeios no rio Douro.

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